sábado, 11 de abril de 2009

De «DO PAÍS DA LUZ», de Fernando Lacerda

DEUS
I
Largos anos passei, aí no mundo,
A pensar, meditando na existência
De Deus, - o Ser de paz e de clemência,
Fonte de todo o amor puro e fecundo.
Eu fiz, na sua busca, estudo fundo
Através toda a humana consciência,
E dos ínvios caminhos da Ciência
Pela Terra, no Mar, no Céu profundo.
Bem desejava achá-lo, amá-lo e vê-lo.
E servi-lo, adorá-lo e conhecê-lo.
Em doce crença inalterável, viva.
Mas não o vi jamais, porque, mesquinho,
Enveredei aí por mau caminho:
- O trilho da ciência positiva.
II
Eu devia buscá-lo onde Ele mora:
Na suma perfeição da Natureza
E no esplêndido encanto e na beleza
Do Céu, do Mar, da Luz, da Fauna e Flora.
Eu podia encontrá-lo em cada hora
Nessa vida: no Amor e na Pureza,
Na Paz e no Perdão, e na Tristeza
E até na própria Dor depuradora.
Mas eu andava cego e nada via;
E a Vaidade escolheu para meu guia
A Ciência falaz, enganadora!
Se o Guia fosse a Fé ou a Bondade,
Vê-lo ia daí na Imensidade,
Como, em verdade, O vejo em tudo agora.
A. Q.

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