sábado, 11 de abril de 2009

EXORTAÇÃO AOS NOVOS DE PORTUGAL - «NAÇÃO UNA» - GENERAL NORTON DE MATOS




I - Que a vossa principal tarefa seja o engrandecimento da Pátria, dignificando-a. Lego-vos o pouco que durante mais de cinquenta anos, consegui fazer com este alto intuito, para que continueis a minha modesta e humilde obra, sublimando-a.
2 - Não deixeis que ninguém toque no território nacional: - conservar intactos na posse da nação os territórios de Aquém e Além-mar é o vosso principal dever. Não ceder, vender ou trocar, ou por qualquer outra forma alienar a menor parcela do território, tem de ser sempre o vosso mandamento fundamental.
3 - Se alguém passar ao vosso lado e vos segredar palavras de desânimo, procurando convencer-vos de que não podemos manter tão grande império, expulsai-o do convívio da Nação.
4 - Para a realização da vossa obra contai principalmente convosco. Se homens de outras nações quiserem vir trabalhar de boa fé ao vosso lado, recebei-os como associados e não como inimigos. Mas se as suas intenções não forem puras e se pretenderem encobrir, com falsos propósitos humanitários ou civilizadores, a traição que planearam, fechai-lhes todas as entradas, mantendo-as bem cerradas por todos os meios ao vosso alcance.
5 - Proclamai sempre bem alto, por forma que todo o mundo vos ouça, que nunca consentireis que os territórios de Além-mar, onde há cinco séculos trabalhamos e sofremos, sejam considerados «terras de ninguém», onde outros povos se possam estabelecer livremente, ou onde se queiram fazer ensaios utópicos de quaisquer internacionalizações. Esses territórios, dizei-lhes, constituem províncias tão portuguesas como as da metrópole, a Nação é só uma, e qualquer horda demográfica ou capitalista, que quisesse invadir Angola ou Moçambique, seria recebida por nós como se tentasse ocupar Lisboa.
6 - Não confieis cegamente nos cidadãos que escolherdes para guias e chefes. Os princípios basilares da formação da Nação têm de brotar da alma nacional, e ao povo, que tantas provas tem dado do seu admirável instinto de conservação, compete indicar aos que governam as linhas gerais da sua vontade e das suas aspirações nacionais.
7 - Tomai a peito o desenvolvimento paralelo dos territórios portugueses: - que a totalidade dos recursos e das energias nacionais seja aproveitada para a organização da Nação Una, que a todos toquem os sacrifícios e as vantagens. «Tudo para todos» deve ser a vossa divisa. Nunca deis, no vosso esforço, a impressão de que olhais somente para um aspecto da questão nacional, para o desenvolvimento de uma região com exclusão de outras. Quebrarieis assim a «unidade nacional» sem a qual nada conseguiremos, nada seremos.
8 - Se afirmais, como eu pensei sempre e como já o pensavam meus pais e meus avós, que «a pessoa humana é o mais alto valor moral e que todas as instituições sociais devem ter por fim aperfeiçoá-la e servi-la», tende sempre a coragem de ser lógicos e de obedecer até ao fim aos princípios da doutrina que nos rege. Os milhões de habitantes de cor que vivem nos nossos territórios esperam de vós a redenção completa, nunca o esqueçais.
9 - Conseguindo fazer tudo isto, meus filhos, sereis realizadores, o maior triunfo material que um homem pode ambicionar; se virilmente tentardes realizar sem o conseguir, sereis precursores, o maior triunfo espiritual a que um homem pode aspirar.
NORTON DE MATOS
( in A NAÇÃO UNA(ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E ADMINISTRATIVA DOS TERRITÓRIOS DO ULTRAMAR PORTUGUÊS), General NORTON DE MATOS, com um Prefácio do PROF.EGAS MONIZ(Prémio Nobel), Paulino Ferreira, Filhos, LDA, LISBOA, 1953.
(Apresentado o texto da obra à ACADEMIA DAS CIÊNCIAS DE LISBOA, para concurso a prémio, por maioria não foi considerado merecedor!...CLARO...O «ESTADO NOVO» ESTAVA AMARRADO AO «ACTO COLONIAL»! ).
( As palavras da «EXORTAÇÃO 3» foram inscritas na estátua erigida em NOVA LISBOA, cidade fundada pelo General NORTON DE MATOS, no HUAMBO, ANGOLA; a estátua foi autorizada depois da nomeação de ADRIANO MOREIRA como Ministro do Ultramar - 1961).

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