sexta-feira, 17 de abril de 2009

«TÁCTICA / ESTRATÉGIA - ESPAÇO / TEMPO - GUERRILHA / GUERRA NUCLEAR»







O triunfo do tempo sobre o espaço reflecte-se sobre a guerra modificando toda a teoria clássica de inter-acção estatégia/táctica. A primeira reflexão que me foi dado ler deve-se a um texto que RAYMOND ABELLIO escreveu em Agosto de 1972, no qual apreciava os escritos de L. TROTSKY dedicados aos problemas militares: «ÉCRITS MILITAIRES», I VOL, éditions de l'Herne.
Diz ABELLIO, a concluir: A guerra atómica implica uma intensa concentração das forças;esta concentração fica em poder dum pequeno número de responsáveis; o seu próprio poder de extermínio neutraliza ou suspende o seu uso até um «instante», que em si se torna único, decisivo, pois, segundo todas as probabilidades terá de ser da ordem da «instanteinidade»: aqui o tempo sai vencedor sobre o espaço. Pelo contrário, a guerrilha é , em limite, completamente desconcentrada; difusa por todos os lados, penetra completamente as massas, o resposável aqui é legião; enfim, não extermina, causa usura, desgaste, ela destrói lentamente o adversário, quer-se durável e mesmo permanente; é o espaço que aqui vence o tempo. No primeiro tipo é realçada a estratégia, no segundo a táctica.
Estamos frente a uma abertura «absoluta», que escapa à dialéctica marxista, pois não é da ordem dos limites! Uma vez tomado o poder, pelo triunfo da revolução, trata-se então de gerir uma situação na qual a estratégia nuclear lhe escapa, por definição; trata-se de gerir a duração e não mais o «instante». Passa-se à teoria dos jogos, ao domínio da probabilidade, e assim a ideologia marxista vê-se confrontada com o risco de num golpe de «poker» desencadear e assim sofrer as consequências da «iniciativa», como por exemplo aconteceu quando Kruchev ( o homem que apoiou LYSSENKO ), foi forçado a retirar os mísseis de Cuba...


SEGUNDO UM RELATÓRIO REDIGIDO PELO COMITÊ SENATORIAL DAS FORÇAS ARMADAS DOS E.U.A., HOUVE
3.703 ALERTAS QUE IMPLICAM RESPOSTA NUCLEAR, EM 18 MESES, DE JANEIRO DE 1979 A JUNHO DE 1980.
A MAIOR PARTE FORAM NORMALMENTE IDENTIFICADOS E NÃO ACARRETARAM CONSEQUÊNCIAS, MAS 147 FALSOS ALERTAS PARECERAM DEMASIADO SÉRIOS...E FOI NECESSÁRIO SER VELOZ PARA CERTIFICAR-SE
DE QUE NÃO REPRESENTAVAM UM ATAQUE POTENCIAL!

E HOJE...CERCA DE 30 ANOS PASSADOS, ESTAREMOS MAIS TRANQUILOS?!...

NÃO SERIA VITAL REFLECTIR NAS CONSEQUÊNCIAS SOBRE O PATRIOTISMO DA RÚSSIA, DO FAMOSO ALARGAMENTO DE UM PACTO NASCIDO UM ANO APÓS O BLOQUEIO DE BERLIM
OCIDENTAL?!
PODE HAVER DISTRAÍDOS!...MAS ATENÇÃO AO «CHAUVINISMO» RUSSO...A RÚSSIA NÃO É
A SÉRVIA!...

sábado, 11 de abril de 2009

De «DO PAÍS DA LUZ», de Fernando Lacerda

DEUS
I
Largos anos passei, aí no mundo,
A pensar, meditando na existência
De Deus, - o Ser de paz e de clemência,
Fonte de todo o amor puro e fecundo.
Eu fiz, na sua busca, estudo fundo
Através toda a humana consciência,
E dos ínvios caminhos da Ciência
Pela Terra, no Mar, no Céu profundo.
Bem desejava achá-lo, amá-lo e vê-lo.
E servi-lo, adorá-lo e conhecê-lo.
Em doce crença inalterável, viva.
Mas não o vi jamais, porque, mesquinho,
Enveredei aí por mau caminho:
- O trilho da ciência positiva.
II
Eu devia buscá-lo onde Ele mora:
Na suma perfeição da Natureza
E no esplêndido encanto e na beleza
Do Céu, do Mar, da Luz, da Fauna e Flora.
Eu podia encontrá-lo em cada hora
Nessa vida: no Amor e na Pureza,
Na Paz e no Perdão, e na Tristeza
E até na própria Dor depuradora.
Mas eu andava cego e nada via;
E a Vaidade escolheu para meu guia
A Ciência falaz, enganadora!
Se o Guia fosse a Fé ou a Bondade,
Vê-lo ia daí na Imensidade,
Como, em verdade, O vejo em tudo agora.
A. Q.

A DOMINIQUE SANTOS




EU SOU DO TAMANHO DO QUE VEJO

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no UNIVERSO...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura...
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.

Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema VII"


A DOMINIQUE SANTOS



CONHEÇO O TEU PODER E A FOUCE DURA

Conheço o teu poder e a fouce dura
Que a tua dextra empolga assaz respeito.
Sei que abaixo do sol tudo é sujeito
A teu poder feroz, tua bravura.

De Babilónia a torre assaz segura
De teu golpe fatal sentiu o efeito.
Por ti o Ródio c'losso foi desfeito,
Sem lhe valer a desmarcada altura.

Mas eu tenho um padrão que Amor defende.
Tempo cruel, que zomba do teu corte,
Bem que a mim teu furor assaz ofende.

É o meu coração constante e forte,
Coração que do Tempo a mão não rende,
Coração que só vence a mão da Morte.

Francisco Joaquim Bingre, in 'Sonetos'


MORREU A CANTORA MIRIAM MAKEBA




Cantora sul-africana Miriam Makeba morre após concerto anti-mafia

A cantora sul-africana Miriam Makeba, conhecida como "Mama Africa", morreu domingo à noite em Itália ao sair do palco, depois de ter actuado num concerto de apoio a um jornalista ameaçado de morte pela máfia.

Fonte da Clínica de Pineta Grande, em Castel Volturno, perto de Nápoles (no sul de Itália), disse que a cantora morreu pouco depois de ter dado entrada no local.

A agência noticiosa italiana ANSA referiu que Makeba terá sofrido um ataque cardíaco no final do concerto, em que participaram vários artistas e que foi dedicado ao jornalista e escritor italiano Roberto Saviano, ameaçado pela Camorra, a máfia napolitana.

"Ela foi a última a subir ao palco, depois de vários outros cantores. Houve uma chamada ao palco, e nesse momento alguém perguntou aos microfones se havia um médico na assistência. Miriam Makeba tinha desmaiado", relatou.

Cerca de um milhar de pessoas assistiram ao concerto em Caltel Volturno, considerado um dos bastiões da máfia napolitana e onde seis imigrantes e um italiano foram abatidos em condições obscuras em Setembro passado.

Roberto Saviano é autor do best-seller "Gomorra", um livro sobre a Camorra que foi adaptado ao cinema e mereceu o prémio do júri no último festival de Cannes, além de ter sido escolhido para representar a Itália nos Óscares.

Convertida num dos símbolos da luta anti-"apartheid", Miriam Makeba, nascida em Joanesburgo em 04 de Março de 1932 e cujo título "Pata, Pata" a tornou conhecida em todo o mundo, sempre defendeu nas suas canções o amor, a paz e a tolerância.

A cantora, a quem chamavam "a imperadora da canção africana" deixou a África do Sul em 1959.

Tentou regressar em 1960 por ocasião do funeral da mãe, mas o passaporte foi-lhe cancelado e não foi autorizada a entrar no país.

Viveu no exílio durante 35 anos nos Estados Unidos, França, Guiné e Bélgica antes do seu emotivo regresso a Joanesburgo em 1990, quando regressaram muitos exilados sul-africanos ao abrigo de reformas instituídas pelo então presidente F.W. de Klerk.

"Nunca percebi por que é que não podia voltar ao meu país", disse Makeba quando regressou: "Nunca cometi nenhum crime".

Em 1976 proferiu nas Nações Unidas um discurso de denúncia do "apartheid" (segregação racial).

Foi depois disso que a rádio e a televisão governamentais sul-africanas se recusaram a emitir as suas canções.

Foi casada com o trompetista Hugh Maseka e mais tarde com o activista Stokely Carmichael.

EXORTAÇÃO AOS NOVOS DE PORTUGAL - «NAÇÃO UNA» - GENERAL NORTON DE MATOS




I - Que a vossa principal tarefa seja o engrandecimento da Pátria, dignificando-a. Lego-vos o pouco que durante mais de cinquenta anos, consegui fazer com este alto intuito, para que continueis a minha modesta e humilde obra, sublimando-a.
2 - Não deixeis que ninguém toque no território nacional: - conservar intactos na posse da nação os territórios de Aquém e Além-mar é o vosso principal dever. Não ceder, vender ou trocar, ou por qualquer outra forma alienar a menor parcela do território, tem de ser sempre o vosso mandamento fundamental.
3 - Se alguém passar ao vosso lado e vos segredar palavras de desânimo, procurando convencer-vos de que não podemos manter tão grande império, expulsai-o do convívio da Nação.
4 - Para a realização da vossa obra contai principalmente convosco. Se homens de outras nações quiserem vir trabalhar de boa fé ao vosso lado, recebei-os como associados e não como inimigos. Mas se as suas intenções não forem puras e se pretenderem encobrir, com falsos propósitos humanitários ou civilizadores, a traição que planearam, fechai-lhes todas as entradas, mantendo-as bem cerradas por todos os meios ao vosso alcance.
5 - Proclamai sempre bem alto, por forma que todo o mundo vos ouça, que nunca consentireis que os territórios de Além-mar, onde há cinco séculos trabalhamos e sofremos, sejam considerados «terras de ninguém», onde outros povos se possam estabelecer livremente, ou onde se queiram fazer ensaios utópicos de quaisquer internacionalizações. Esses territórios, dizei-lhes, constituem províncias tão portuguesas como as da metrópole, a Nação é só uma, e qualquer horda demográfica ou capitalista, que quisesse invadir Angola ou Moçambique, seria recebida por nós como se tentasse ocupar Lisboa.
6 - Não confieis cegamente nos cidadãos que escolherdes para guias e chefes. Os princípios basilares da formação da Nação têm de brotar da alma nacional, e ao povo, que tantas provas tem dado do seu admirável instinto de conservação, compete indicar aos que governam as linhas gerais da sua vontade e das suas aspirações nacionais.
7 - Tomai a peito o desenvolvimento paralelo dos territórios portugueses: - que a totalidade dos recursos e das energias nacionais seja aproveitada para a organização da Nação Una, que a todos toquem os sacrifícios e as vantagens. «Tudo para todos» deve ser a vossa divisa. Nunca deis, no vosso esforço, a impressão de que olhais somente para um aspecto da questão nacional, para o desenvolvimento de uma região com exclusão de outras. Quebrarieis assim a «unidade nacional» sem a qual nada conseguiremos, nada seremos.
8 - Se afirmais, como eu pensei sempre e como já o pensavam meus pais e meus avós, que «a pessoa humana é o mais alto valor moral e que todas as instituições sociais devem ter por fim aperfeiçoá-la e servi-la», tende sempre a coragem de ser lógicos e de obedecer até ao fim aos princípios da doutrina que nos rege. Os milhões de habitantes de cor que vivem nos nossos territórios esperam de vós a redenção completa, nunca o esqueçais.
9 - Conseguindo fazer tudo isto, meus filhos, sereis realizadores, o maior triunfo material que um homem pode ambicionar; se virilmente tentardes realizar sem o conseguir, sereis precursores, o maior triunfo espiritual a que um homem pode aspirar.
NORTON DE MATOS
( in A NAÇÃO UNA(ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E ADMINISTRATIVA DOS TERRITÓRIOS DO ULTRAMAR PORTUGUÊS), General NORTON DE MATOS, com um Prefácio do PROF.EGAS MONIZ(Prémio Nobel), Paulino Ferreira, Filhos, LDA, LISBOA, 1953.
(Apresentado o texto da obra à ACADEMIA DAS CIÊNCIAS DE LISBOA, para concurso a prémio, por maioria não foi considerado merecedor!...CLARO...O «ESTADO NOVO» ESTAVA AMARRADO AO «ACTO COLONIAL»! ).
( As palavras da «EXORTAÇÃO 3» foram inscritas na estátua erigida em NOVA LISBOA, cidade fundada pelo General NORTON DE MATOS, no HUAMBO, ANGOLA; a estátua foi autorizada depois da nomeação de ADRIANO MOREIRA como Ministro do Ultramar - 1961).

SÓ OS «VENTOS DA HISTÓRIA» ( CONFERÊNCIA DE BAKU, etc. ) ou SALAZAR com o «ACTO COLONIAL» tornou inviável o designio de NORTON DE MATOS?!...



Conceito de Acto Colonial

Acto Colonial é a designação pela qual ficou conhecido do decreto lei n.º 18570 de 8 de Julho de 1930, o qual definia a forma como se deviam processar as relações entre a metrópole e as colónias portuguesas ao nível político, económico e administrativo. Através do Acto Colonial foi colocado um fim à autonomia financeira das colónias e foi decretada a unificação administrativa de cada colónia sob a chefia de um administrador. Esteve em vigôr entre 1930 e 1951, ano em que uma nova lei o substituiu e alterou o termo colónia por província ultramarina.

ACTO COLONIAL ( 1930 )

Diploma emitido pela Ditadura Nacional (decreto com força de lei nº 18 570, de 18 de Junho), quando Salazar, então ministro das finanças, ocupava interinamente a pasta das colónias e pelo qual se extinguiu o modelo dos Altos Comissários, instituído em 1920. Invoca-se o facto de alguma opinião internacional propor a distribuição da gestão das colónias portuguesas e belgas pelas grandes potências. Será integrado na Constituição de 1933. Consagra a colonização como da essência orgânica da nação portuguesa. À maneira britânica, cria o Império Colonial Português. Sofre, de imediato, virulentas críticas de Francisco da Cunha Leal. Também Bernardino Machado publica uma crítica em O Acto Colonial da Ditadura, onde considera que há dois nacionalismos diametralmente opostos, um liberal, democrático, pacífico, outro reccionário, despótico, militarista. Salienta que o diploma o brandão inendiário dum ukase colonialista, invocando a circunstância da República ter continuado a política dos liberais monárquicos. Proclama que a nacionalização das colónias só se faz pela íntima cooperação com a metrópole, e não é para ditaduras; que o problema colonia consiste, como todo o problema social, numa questão de liberdade. Reconhece que a alma da nação é indivisível e que Portugal entrou na guerra por causa das colónias.
No dia 25 de Abril de 2007, tive a oportunidade de referir o livro, hoje remetido para o olvido, «A NAÇÃO UNA», do GENERAL NORTON DE MATOS!
Figura de alto gabarito das FORÇAS ARMADAS, do ESTADO, da OPOSIÇÃO DEMOCRÁTICA e da MAÇONARIA, o SENHOR GENERAL NORTON DE MATOS foi também um grande patriota!
Actualmente, talvez por acharem incómoda à «situação» política criada após 1974, a sua obra «A NAÇÃO UNA» ( ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E ADMINISTRATIVA DOS TERRITÓRIOS DO ULTRAMAR PORTUGUÊS ), quase nunca é mencionada e muito menos, a «EXORTAÇÃO» AOS NOVOS DE PORTUGAL, redigida há muito pelo autor e que precede o corpo da sua exposição. Tendo sido uma leitura fundamental para mim dispus-me a deixá-la aqui para poder ser lida por quem se interesse pelo todo e não só pelas parte; em suma, para quem goste de beber pelo seu copo!...
Redigi estes nove artigos há muitos anos, tendo no pensamento a conservação e o engrandecimento de Portugal. Adoptei-os no seu conjunto, como divisa indicadora de um procedimento nacional que a todos e a tudo abrangesse. Creio ter traduzido a vontade do povo a que pertenço. Por isso os trago para aqui. NORTON DE MATOS


EXORTAÇÃO AOS NOVOS DE PORTUGAL