



Anti-Modju (Amor, Trabalho e Sabedoria são as fontes da nossa vida. Deviam também governá-la!...)
REICH, denuncia a calúnia e a insinuação! Aquilo que denomina de «peste emocional», de «carácter pestífero»!
«Ó respeitáveis enganadores que troçais de mim! / Donde brota a vossa política, / Enquanto o mundo fôr governado por vós? / Das punhaladas e do assassínio!» CHARLES DE COSTER ( em Ulenspiegel ).
«MODJU» tem a ver com o que WILHELM REICH denominou de «peste emocional» ou «carácter pestífero».REICH criou uma sigla para o designar:MODJU,esse carácter que se serve da calúnia e da insinuação para combater a vida e a verdade! MODJU,deriva de MOCENIGO personagem que denunciou GIORDANO BRUNO à INQUISIÇÃO e de DJOUGACHVILI,o segundo nome de STALIN.MODJU é omnipresente!...

A LIBERDADE DE EXPRESSÃO E O SEU CENSOR
A audiência - chamemos-lhe assim - deste tipo de blogues assemelha-se bastante à espécie de fanatismo que preside à escolha de uma filiação partidária, por exemplo. A noção de partido está intimamente ligada à noção de parte, pelo que o programa ou a ideologia de uma determinada facção representam um segmento do todo e não o todo, e logo apenas possuem (se possuírem) uma fracção da verdade. No entanto, cada partido ou facção apresenta-se ao público como sendo o todo, como sendo detentor da solução única e absoluta, e tenta convencer o auditório que, efectivamente, ele tem a verdade por inteiro, ainda que no contexto limitado de um partido, logo de uma parte. Por outro lado, quem principalmente ouve os arautos dessas partes da verdade são os seus próprios fiéis, logo aqueles que apenas escassamente necessitam de ser convencidos, pois partilham do fanatismo totalizante (ainda que partidário) dos arautos.
Nestes espaços públicos da internet sucede aproximadamente o mesmo: cada dono vai construindo a sua rede de adeptos, os adeptos passam uma vista de olhos pelos conteúdos expostos e comentam ou não de acordo com o teor das publicações.
É possível, ao fim de algum tempo de análise, entender quem são os fanáticos, os partidários: eles expressam as suas opiniões (em geral elogiosas, quando não bajuladoras), o elogiado dirige-se ao espaço do elogiante e faz-lhe vénias, e pode muito bem acontecer (e efectivamente acontece) que do público se transite para o privado e se teçam outras redes específicas, por detrás da cortina que os comentários polidos disfarçam.
Acontece que, de vez em quando, eu, enquanto dona de um espaço em tudo idêntico aos demais, quanto à forma, percorro os congéneres e nem sempre comento, porque nem sempre os conteúdos expostos me despertam o menor ensejo de reflexão. Efectivamente, comentar é reflectir, analisar, perspectivar teses ou teorias diversas e não elogiar gratuitamente, ceder à bajulação, ou proferir exclamações de júbilo. Portanto, quando comento, comento mesmo; quando não há nada para comentar, nenhuma ideia para contrapor, passo adiante.
Há alguns dias atrás comentei o espaço de um desses autores. Não direi o seu nome porque pouco importa, tanto mais que, muitas vezes, os nomes utilizados são falsos, bem como as informações dadas no perfil, ou mesmo a fotografia com que se enunciam (ainda que não seja esse o caso a que aludo.). O certo é que não foi o texto que li em particular (e abaixo do qual escrevi) que me suscitou o comentário, mas sim o conjunto das produções desse autor, que vou lendo, sem comentar; e, porque naquele dia estava para ali virada, decidi condensar, num único texto, o que me aprouve teorizar sobre os textos publicados por ele e, ao mesmo tempo, sobre a pessoa que os assina (já que o conheço, também de trato, e não apenas na virtualidade das páginas da internet). Não creio que o conteúdo do meu texto tivesse chocado o autor do blogue: o que ele publicou logo a seguir tem todas as marcas de uma resposta subjacente e eu li, nas entrelinhas desse poema e da imagem que o coroa, o que ele, de facto, quis dizer. Porém, os comentadores ou bajuladores do autor leram o meu comentário, não entenderam a sua essência e acharam que deviam defender o seu «ídolo», pensaram que havia insultos ou perfídias veladas nas minhas palavras e comentaram o meu comentário com um palavreado estulto e até um pouco ridículo. Aí, o autor do blogue despertou e, para agradar aos fãs (porque ele sabe muito bem que o meu texto tem inteira razão de ser) escreveu como comentário e aviso, e para que eu lesse (e os outros é claro) mais ou menos o seguinte: «Defendendo a liberdade de expressão dou-lhe 24 horas de tempo de antena posto o que eliminarei o seu comentário.» (não transcrevo literalmente, porque não copiei a frase e, entretanto, o tempo de antena acabou e nem o meu texto inicial permanece na página, nem tão pouco esta advertência... mas o teor da frase era este!)
Atónita com esta arrogância não reagi de imediato, não atribuí à frase o sentido implícito que ela, de facto, tem e que passou despercebida ao autor (ou não teria ousado escrevê-la!). Mais tarde detive-me a reflectir.
E agora reparem: o autor defende a liberdade de expressão e, por isso, autoriza que comentários não-bajuladores fiquem algum tempo na sua página! Mas a verdade é que o blogue dele não é um jornal nacional ou uma revista ou um programa de televisão: ele pode, de imediato, suprimir o que não lhe agrada, o que não quer apenso às suas produções literárias, pode barrar, por completo, o acesso dos comentadores, não tem que permitir liberdade de expressão a quem quer que seja porque, efectivamente, não é dono dela (da liberdade de expressão) e ninguém lhe pede autorização seja para o que for! Por outro lado, que liberdade de expressão é essa, com prazo de validade? «Dou-lhe 24 horas porque defendo a liberdade de expressão»...Defende ou controla? Defender a liberdade de expressão seria permitir que o texto ficasse, exactamente como os outros, tendo a dignidade de perceber e de assumir que um comentário não é taxativo, mas apenas um manifestar de posição e que em nada belisca a qualidade do autor, se ela existir!
Almada Negreiros escreveu o Manifesto Anti-Dantas e não há provavelmente na história da literatura portuguesa um texto tão virulento, potencialmente difamatório... e contudo, Júlio Dantas continuou a escrever e a ter o seu público e diz-se que, apesar do Manifesto, os dois continuavam a tirar polidamente o chapéu um ao outro, quando se cruzavam nas ruas de Lisboa! Mas o autor a que me refiro não suporta Manifestos contra si, teme, provavelmente, que lhe tirem a clientela ou que as senhoras que deliram com os seus arroubos liírico-românticos comecem a desconfiar da sua autenticidade...Uma delas disse: «É pena que haja gente, que ainda hoje, no século XXI, confunde alhos com bugalhos» e eu delirei com a imagem dos alhos e dos bugalhos, tão provinciana, vinda de alguém que provavelmente se considera muito avançada por existir no século XXI! De facto, nunca entendi este provérbio, não vejo como podem confundir-se semelhantes produtos das plantas e, realmente, nunca lidei com bugalhos para saber se haverá alguma possibilidade de os confundir com alhos...vou fazer a experiência um dia destes e arranjar um saco de bugalhos, pô-los na prateleira, ao pé dos alhos, a ver se farei mesmo semelhante confusão (embora eu pense, é claro, que no provérbio ou adágio são utilizados estes dois termos apenas porque rimam e não porque seja comum confundi-los, na prática.).
Regressando à liberdade de expressão, propalada pelo tal autor de textos de um certo blogue, direi apenas que o senhor se confundiu e, usando a expressão da sua amiga e defensora, talvez bajuladora ou candidata a mensagens privadas, confundiu «alhos com bugalhos». Estamos no século XXI, é verdade, em Portugal foi abolida a censura há mais de 35 anos e, por isso, já não existe a profissão de censor; contudo, quando ele escreve «dou-lhe 24 horas de tempo de antena e depois elimino o seu texto» está a recuar mais de 35 anos e a empunhar o lápis azul - aqui convertido num clique numa tecla - e fá-lo, ufanamente, pois, qual Ministro da Cultura de tempos idos, julga-se executivo de um departamento redactorial e, por isso, dá ou tira liberdade de expressão consoante lhe apraz! É estranho dar liberdade de expressão num tempo em que ela está estatuída, mas também é estranho dar-lhe um prazo, e depois retirá-la outra vez ( a liberdade de expressão)! Quão paradoxal se tornou esta personagem, assim arvorada em paladino da liberdade da expressão e censor ao mesmo tempo!
É óbvio que este meu texto não será comentado: é um texto filosófico (porque eu sou filósofa por fatalidade minha) e comentar textos filosóficos não é o mesmo que extasiar-se perante poemas de amor ou lançar lágrimas virtuais sobre teclados de computadores. Comentar filosofia exige um domínio do pensamento e da expressão que apenas um talento inato, aliado a uma prática intensíssima, poderão lograr.
REGINA SARDOEIRA
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I Os homens contra o homem
«Na nossa época, já não depende das nações que as condições sociais deixem de ser
iguais no seio de cada uma; mas depende delas que a igualdade as conduza à escravatura ou
à liberdade, à cultura ou à barbárie, à prosperidade ou à miséria»
ALEXIS DE TOQUEVILLE
É uma grande data a de 1848. A Revolução tem uma amplitude inteiramente diversa da de 1830. Continua a Revolução de 1789, mas ultrapassa-a. Nascida na França, alcança a Europa: Prússia, Austria, Piemonte-Sardenha. Sem invalidar, antes pelo contrário, as previsões de Toqueville, vem complicar mais ainda a tarefa das «nações de nossos dias» ( «nations de nos jours», no original francês de «De
Doravante, será desferido contra a tradição, sob todas as suas formas, especialmente sob a sua forma nacional, um assalto de violência até então desconhecida. Até suscitar, por reacção, um novo tradicionalismo, uma contra-revolução intelectual rejuvenescida, que haveria de apoiar-se no nacionalismo, na paixão nacionalista ferida em carne viva. A Enquête sur
A Enquête respira o ódio das «ideias de 1789», da democracia parlamentar e liberal. No entanto, entre 1900 e 1914, essa democracia não deixava de progredir, nos factos, na política prática. Parecia mesmo ter de incluir definitivamente o socialismo domesticado, integrado. De modo que, quando Georges Sorel, escritor de extrema-esquerda, alias obscuro, etiquetado de sindicalista revolucionário, retoma sob um outro ângulo nas suas «Réflexions_sur la violence», editadas em 1908, o -requisitório anti-parlamentar, anti-liberal da extrema-direita maurrasiana -os adeptos sérios do socialismo vêem aí apenas um paradoxo . Aliás, não lêem o livro, de leitura penosa ainda por cima, apreciado somente por certas minorias intelectuais. As ´Réflexions` só encontrarão a sua oportunidade histórica após a guerra de 1914-1918, ao desabarem tantos cenários parlamentares, ao desencadear-se a violência ideológica e material: violência de Lenine, violência de Mussolini, violência de Hitler. Então, graças sobretudo ao título, o livro de Sorel passará,retrospectivamentet; por um grande livro profético. Tornar-se-a célebre, sem ser de resto muito lido, assim como o seu autor pouco conhecido.
Violência de Lenine : contra o reformismo social, contra o socialismo parlamentar, prega ele a conquista do poder, à fôrça, pelo proletariado revolucionário. Este substituira o Estado" burguês li pelo Estado proletário. Mas que é o Estado em geral, em si, senão a organização da violência, em proveito de uma classe contra uma outra? E quais são portanto, em face do Estado, as sucessivas tarefas do proletariado revolucionario? Eis o que Lenine explica
Violência de Mussolini : violência de extrema-direita de um homem proveniente da extrema-esquerda; violência completamente empírica no início (seu programa exclusivo: a vontade de ´governar` a Italia) cuja doutrina se estrutura depois com o apoio do hegueliano de direita Giovanni Gentile. O próprio Mussolini trabalha para esse fim. O seu artigo na palavra ´Fascismo` na nova Enciclopédia Italiana expõe em grandes traços agressivos a ideologia política e social do regime. Todavia, não coube a Mussolini, mas a Hitler, seu discípulo alemão ( discípulo ao menos segundo as aparências ), a tarefa de escrever, alguns anos antes da conquista do poder, uma obra de doutrina e propaganda, «Mein Kampf («A minha luta»),votada ao extraordinário êxito que todos conhecem. No plano ideológico como no material, a violência atinge atinge então o delírio: o mais lúcido, o mais subtil dos delírios. Aí se exprime toda uma concepção do mundo ( «Weltanschauung», como gostam de dizer os alemães ), dum modo perfeitamente insuspeitado do fascismo: concepção estranha e regressiva, que se ergue directamente em face da de K. Marx e que opõe à ´Classe` a ´Raça`.
II Conflitos e posições do espírito moderno
O espírito humano sofre por conseguinte imposições. São as imposições geradas justamente do enfraquecimento espiritual do homem em face dos múltiplos e complexos problemas vitais agravados a seguir à Grande Guerra, problemas cuja solução depende antes das energias espirituais da Pessoa Humana do que das forças materiais propostas pelos vários trans-personalismos ou totalitarismos.
O espírito moderno, em geral, ressentiu-se da falta de posse da sua liberdade. Como que alienou de si mesmo, voluntariamente, a liberdade. Liberdade que é Deus no homem. Liberdade que é o homem em Deus.
E essa alienação da liberdade não é, na força da expressão, uma alienação propriamente dita, uma alienação radical, porque é um acto de cobardia,um acto de auto-aniquilamento, um suicídio espiritual.
É o paradoxo filosófico da liberdade que a Pessoa humana tem em si mesma, na sua essência, na sua alma, a liberdade de não querer liberdade.
Ao homem destes tempos falta, justamente, o equilíbrio da posição cristã. O homem destes tempos desiquilibrou-se, pendendo para as falsas posições extremas, na sedução das místicas e no deslumbramento dos mitos. Essas místicas e esses mitos opõem-se ao Cristianismo. são tentações da matéria contra o espírito. são assomos do homem contra Deus. É o anti-espiritualismo. É o pseudo-espiritualismo, informado seja no culto da raça, da classe, da nação ou do Estado, seja no culto do chefe, da disciplina fanática, das encenações bélicas e dos planos económicos.
Ao bem comum preside o salutar princípio de união, de integração, completando-se os homens entre si, para de si mesmos formarem um todo harmonioso. É o princípio cristão da comunhão, segundo o qual o homem não perde a sua personalidade, participando assim do Corpo Místico de Jesus.
No comunismo, na sociedade comunista, dá-se justamente o contrário; o homem, negando a Deus, nega-se a si próprio, como valor espiritual, para reconhecer ou considerar-se tão somente como valor material, dentro das realidades materiais do homem-colectivo, do homem-máquina, do homem-músculos.
Para o fascismo, o Estado é a verdadeira realidade do indivíduo, tudo está contido dentro do Estado. O homem, em si, não é nada, como não é nada o indivíduo nem a pessoa. O Estado, no fascismo, é o que no comunismo se designa por " homem colectivo " ou por " massa organizada ". Um e outro, porém, correspondem ao mesmo sentido da alienação do conceito de Deus no espírito humano, isto ê, do Deus verdadeiro, do Criador supremo de tudo e de todas as coisas, o Deus dos cristãos.
Quando o amor da pátria se objectiva, simples e exclusivamente, no amor da raça, do clima e do solo, meros componentes materiais da pátria, como acontece com o nazismo, gera-se um nacionalismo pagão e indigno, o nacionalismo da exaltação materialista de raças puras e de super-homens.
Daqui pode concluir-se que os regimes políticos em causa, em seus vários «ismos», tendem antes para a unificação do que para a união. É que os estatismos modernos pretendem uma unificação planificada pela vontade arbitrária de um, prevalecendo tiranicamente sobre a dignidade e a integridade de todos, o que é absolutamente anti-cristão, anti-humano, anti-moral.
III O Espírito contra o Leviatã
Determinismo selvagem da Raça, flor suprema e envenenada do Nacionalismo; determinismo pouco humano da Classe, quintessência do Socialismo, nascido no entanto do mais humano dos protestos: assim se. constituiu a antiga Fatalidade. Causam estragos os mitos, em que se combinam certeza pseudo-científica e certeza pseudo-religiosa, baseada numa pseudo-revelação ou iluminação.
Contra essas novas mitologias, que esmagam a individualidade e a personalidade vai corajosamente reagir o extraordinário Papa Pio XI. Este grande Pontífice vai defender a liberdade e a dignidade da pessoa humana contra o bolchevismo, o racismo e o estatismo. Nesta pequena resenha pôr-se-á, propositadamente, de parte a complexa questão da " Action Française "
Em 6 de Fevereiro de 1922, Achille Ratti, cardeal de Milão,é eleito Papa sob o nome de Pio XI. O ano de 1922 é fértil em acontecimentos favoráveis ao desenvolvimento dos três totalitarismos: o comunismo russo assina em 16 de Abril em Rapallo um pacto com a Alemanha, sendo ministro dos Estrangeiros da República de Weimar o principal accionista
da A.E.G., Walter Rathenau, que será liquidado em 24 de Junho do mesmo ano pelos Corpos Francos nazis; em 29 de Abril, Hitler é eleito presidente do partido Nazi; em 29 de Outubro o partido Fascista, conduzido por Mussolini, inicia a marcha sobre Roma, tomando conta do poder.
a) Condenação do bolchevismo
Pio XI promulga em 19 Março de 1937, a encíclica Divini Redemptoris,sobre o comunismo ateu. O Papa recorda as condenações anteriores do comunismo por Pio IX e Leão XIII bem como as suas próprias encíclicas, Miserentissimus Redemptor ( de 8 de Maio de 1928 ), Quadragesimo anno ( de 15 de Maio de 1931 ), Caritate Christi ( de 3 de Maio de 1932 ), Acerba animi ( sobre o México, de 29 de Setembro de 1932; em 28 de Março promulgará outra encíclica sobre este país em língua castelhana, intitulada ´No es Muy` e Dilectissima Nobis ( sobre a Espanha, de 3 de Junho de 1934 ). Com uma lúcida precisão o Papa descreve a doutrina comunista:
"( … ) 9- - A doutrina que o comunismo hoje difunde sob formas tão sedutoras baseia-se substancialmente nos princípios do materialismo dialéctico e materialismo histórico, já pregado por Marx, cuja interpretação genuína só os teóricos do bolchevismo se gloriam de possuir. Esta doutrina ensina não haver mais que uma só realidade, a matéria, a qual sob o impulso de forças próprias, cegas e ocultas se faz, no decurso da evolução, árvore, animal, homem. (… ) . Tal doutrina, como é evidente, riscou a ideia de DEUS e nega a diferença entre espírito e matéria, entre alma e corpo ( ... ).
" ( ... ) 15. ( ... ) Os pregoeiros do comunismo sabem também aproveitar-se de antagonismos ( ... ) introduzindo-se sorrateiramente nas Universidades para corroborar os princípios da sua doutrina com argumentos pseudo-científicos.
"( ... ) 36 - ( . . .) O Cristianismo, que adora o Filho de Deus feito homem por amor dos homens, conhecido por" Filho do Carpinteiro ", e ele mesmo operário (Cf. S. Mateus, XIII 55; S. Marcos, VI,3.), exaltou o trabalho manual à sua verdadeira dignidade ( ... )
" ( ... ) 38 - ( ... ) Não haveria nem socialismo nem comunismo, se aqueles que governam os povos não houvessem desprezado o ensino e os carinhosos avisos da Igreja; e não tentassem fabricar sobre as bases do liberalismo.e do laicismo outros edifícios sociais, à primeira vista poderosos e de subida grandeza, mas que, sem alicerces sólidos, se vão miseramente desmoronando uns sobre os outros, como se desmoronara tudo o que não assente na pedra angular que é Jesus Cristo.
" ( ... ) 58 - ( ... ) O comunismo é intrinsecamente preverso e nao se pode admitir em campo algum colaboração ( ... ). E se alguns, induzidos em erro, colaborarem na vitória do comunismo ( . . . ) chorarão amargamente na expiação do seu pecado ( . . . ) "
b) Condenação do racismo nazi
A encíclica «Mit brennender Sorge» - pela primeira vez na história do Papado, o texto oficial de uma encíclica era redigido em alemão - foi assinado em 14 de Março de 1937,cinco dias antes da«Divini Redemptoris». Mas o facto da sua existência foi mantido em segredo até ao Domingo de Ramos, 21 de Março, quando a encíclica «Mit Brennender Sorge» foi lida do alto da catedra da Verdade em cada igreja paroquial do Reich. Durante a noite, os mensageiros tinham levado aos parocos um exemplar policopiado do texto e algumas instruções da parte dos bispos. Assim, a polícia secreta do Estado não pôde impedir os católicos alemães de ouvir a voz do Pai da Cristandade:
" Com viva inquietação e espanto, desde há muito seguimos com os olhos o caminho doloroso da Igreja e os vexames cada vez mais graves sofridos pelo povo ainda fiel naquela nação onde S. Bonifácio outrora levou a luminosa mensagem da Boa Nova de Cristo, - o Reino de Deus. ( ... )
" ( . . . ) Quem, segundo a concepção dos antigos germanos de antes de Cristo, toma o destino obscuro e impessoal pela Divina Pessoa de Deus, nega por isso mesmo a Sabedoria e a Providência de Deus ( ... )
" Quem pega da raça, ou do povo, ou do Estado, ou dos senhores do poder ( . . . ) para os deslocar da sua devida escala de valores e alçá-los ao pedestal onde os diviniza e lhes presta culto idólatra ( (... ) está longe da verdadeira fé em Deus e da concepção de vida correspondente a essa fê :
11 Acautelai-vos, Veneráveis Irmãos, com o abuso cada vez mais ousado do emprego na palavra e na escrita, do nome de Deus, três vezes santo, como legenda que se inscreve, oca de sentido, sobre qualquer criação, mais ou menos arbitrária, da especulação ou do sentimento humanos ( .•. ).
" ( . . .) Revelação, no sentido cristão do vocábulo, designa a palavra dada por Deus aos
homens. Empregar esta mesma palavra com o sentido de sugestões de sangue e de raça, de irradiações da história dum povo, é certamente criar um equívoco ( ... ).
" ( ... ) Os inimigos da Igreja ( ... ) reconhecerão depressa que se alegraram cedo de mais e cedo de mais pegaram na enxada do coveiro. Por fim raiará a luz do dia em que a seguir aos hinos precoces dos inimigos de Cristo, se erguerá da terra para o céu, do coração e lábios dos fieis para o Deus das alturas, o Te Deum de reconhecimento do Altíssimo e Te Deum de alegria ao povo alemão ( ••. ).
" ( ... ) Confiando Nele, não descansamos neste rezar e implorar (Col. 1,9) ( . . .) para se abreviarem os dias da tribulação e serdes julgados fieis no último dia ( ...) 11
c) Condenação da estatolatria fascista
No início de Julho de 1931, o mundo foi surpreendido pela aparição de urna encíclica sobre o fascismo, e mais ainda pelas circunstâncias da sua publicação. Não foi em Roma, mas do estrangeiro, de França precisamente, que o texto foi distribuído aos bispos italianos e aos católicos do mundo inteiro.
Foram tomadas precauções especiais para manter secreta a existência da encíclica «Non abbiammo bisogno» - cujo texto era redigido em italiano - até ao momento de se encontrar nas mãos dos bispos e de ser publicado na imprensa mundial. As autoridades italianas não podiam assim voltar a intervir com medidas de censura. A imprensa fascista procurou ainda organizar a conspiração do silêncio à volta da carta do Papa. Porém era demasiado tarde ! Publicada em 29 de Junho de 1931, nela Pio XI condena solenemente uma ideologia que se resolve em uma verdadeira e exacta estatolatria pagã:
« ( . . . ) Eis-me em presença de todo um conjunto de autênticas alienações e de factos
( . . . ) com o propósito ( ... ) de monopolisar inteiramente a juventude, desde a primeira infância até.,à idade adulta, para plena e exclusiva vantagem dum partido, dum regime, assentando numa ideologia que, explicitamente, se resolve numa verdadeira e exacta estatolatria pagã ( •.• ).
( . . .) Uma concepção que faz pertencer ao Estado as jovens gerações, inteiramente e sem excepção ( .•. ) não é conciliÁvel para um católico com a doutrina católica ( ... ) "( .•. ) que resta pensar ( ... ) duma fórmula de juramento que impõe às próprias crianças a obrigação de executar ordens sem discutir ( ... ) ( … )a resposta, do ponto de vista católico, e mesmo puramente humano, é inevitavelmente única ( .•. ): um juramento semelhante, tal qual existe, não é lícito ( ..• ) 11
IV A Igreja, Mãe e Mestra da Humanidade
Caractirizou-se Pio XI pela sua obstinada e inflexível oposição a toda a forma de racismo. Colocou a sua missão sob o signo da mais profunda conciliação, adoptando por divisa:
" Pax Christi in Regno Christi "; pregando a paz à Sociedade das Nações, aos chefes de Estado, aos soberanos do mundo inteiro, através de um enorme acervo de sermões, alocuções e encíclicas Em 1938, três semanas após a visita de Hitler a Roma, a Itália decretou medidas raciais inspiradas nas da Alemanha. O primeiro a protestar contra elas foi o Papa Pio XI, em duas alocucões, respectivamente nos dias 15 e 28 de Julho. O último discurso foi publicado na íntegra, dez dias depois, na primeira pagina do " Osservatore Romano ".
Três dias antes da visita de Hitler a Roma tivera Pio XI o desassombrado gesto de ir para Castelgandolfo, declarando publicamente que o ar da cidade se tornara irrespirável!
Porém, inesquecíveis ficarão para todo o sempre as suas palavras pronunciadas aos peregrinos belgas a 6 de Setembro de 1938, com lagrimas nos olhos: « O anti-semitismo é inadmissível
espiritualmente somos todos semitas». Observe-se que nem o li Osservatore Romano li nem a li Civiltà Catolica li mencionaram sequer uma palavra dessa audiência! ...
Com o exemplo dado pelo Vigário de Jesus Cristo, é natural que muitos católicos se sentissem com força para escrever, tanto e tão bem, acerca da liberdade da pessoa humana!
A título de exemplo e como sentida homenagem cita-se os nomes do Padre Joaquim Alves Correia e de Jacques Maritain. O nosso compatriota, decerto apoiado pelo Cardeal Patriarca D. Manuel Gonçalves Cerejeira, ele próprio um entusiasta do Magistério de Pio XI, o que se pode constatar facilmente pela sua tão bela serie de Obras Pastorais, publicou, em 1931,A Largueza do Reino de Deus ou de como a intolerância e o despotismo são apenas variações do Anticristo proteiforme. Quanto ao autor de Primaute du Spirituel, entre tantas e fundamentadas obras que nos deixou, quem não relê com alegria e acção de graças a sua obra Humanisme Intégral, editada em 1936, e que constitui um verdadeiro guia da arte de navegar com verticalidade ente Cila e Caribdes?!
BIBLIOGRAFIA SUMÁRIA
ARENDT, H. - Le systeme tota1itaire, Paris, 1972
BEA, A. - La chiesa e i1 popolo ebraico,Roma, 1966.
CEREJEIRA, M. G. - Obras pastorais, Lisboa, vários anos.
CORREIA, J.A. - A Largueza do Reino de Deus, Lisboa, 1931.
DE TOQUEVILLE, A.- A Democracia na Amêrica, Lisboa, 1972.
DENZINGER, E. - E1 Magisterio de
FONTENELLE, R - Sa Saintetê Pie XI, Paris, 1937.
GOYAU, G. - Sa Saintetê le Pape Pie XI, Paris, 1937.
MARITAIN, J. - Humanisme Intêgral, Paris, 1936
RUAS, H. B. - A moeda, o homem e Deus, Lisboa, 1957.
TALMON, J.L. - The origins of tota1itarian democracy,Jerusa1êm, 1951.
VALDOR, L. - O Cristianismo perante o racismo, Lamego, 1943. - VALDOR é o pseudónimo que ROMANO GUARDINI usava na rede da «resistência ao nazismo dentro da Alemanha
_Documentation Catholique (1931).
- A Igreja e a Acção Católica perante o Comunismo e a Estato1atria moderna
( Enc. S.S. pio XI ), trad. Valente Pombo, Porto, 1937.
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